Saturday, August 16, 2008

Angola sem fome no programa da UNITA nestas Eleições em Angola


Um dos aspectos mais vincados da mensagem da UNITA nesta campanha eleitoral é a inclusão social. A oportunidade que os pobres terão num Governo da UNITA em usufruírem de apoio efectivo, através de políticas de emprego e de índole social, para que possam desprenderem-se das redes do partido da situação. Trinta e três anos de infelicidade e de uma vida indigna subjugados por uma política errada, que visa o enriquecimento rápido e fácil de uma nomenklatura reinante em Luanda e o abandono da maioria da população que vive marginalizada com níveis impensáveis para um país, que se apresenta ao mundo como potencia regional, estável em termos cambiais, monetários, com crescimento económico a dois dígitos, mas que não se reflecte nas políticas sociais, na educação, habitação, saúde, emprego e no combate a fome e a pobreza. Por isso, é que os eleitores ouviram ontem atentamente a mensagem que o Dr. Samakuva transmitiu no tempo de antena do partido.

O Vice- Presidente da UNITA esteve com os eleitores no Uíge e disse-lhes que a tarefa de reconstrução é de todos e não é obra do partido da situação, que a iniciativa de reconstruir o país é uma tarefa do Governo e não pode ser uma conquista política partidária, que curiosamente só apresenta « obra meia-feita » e quando acabada é de duvidosa qualidade.

O MPLA, pelo gosto que tem em aproveitar os dotes oratórios de um ex-dirigente da UNITA expulso do partido, tentou mas sem conseguir, captar atenção dos eleitores em Benguela. O mais velho Jorge Valentim, «virou a casaca» mas não consegue virar os eleitores da mudança, que eles tanto desejam.

Apesar dos 58 especialistas Brasileiros que acompanham a campanha do MPLA, chefiados por Carlos Monforte, e da qualidade indiscutível e quantidade de meios postos a disposição do partido da situação, os eleitores só pensam, que os milhões gastos por eles, bem podiam ser aplicados na melhoria das condições dos mais necessitados. E nesta saga, e tentando remediar os actos de confisco e nacionalizações arbitrárias contra a propriedade da Igreja Católica, veio o Comité Provincial do MPLA no Kwanza Norte entregar uma capela reabilitada a referida Igreja na aldeia de Mululu, município do Golungo Alto.

A Igreja dos Primogénitos Evangélica Universa (IPEU) é que já garantiu hoje em Luanda o seu apoio incondicional ao MPLA, através do seu Bispo Manuel Inocêncio de Sousa “Diakenda” no município do Sambizanga. Fica aqui o registo singular do apoio de uma Igreja a um partido de origem marxista.

Acrescento também, que o MPLA entregou na Quinta-Feira passada meios de produção agrícola a famílias camponesas na aldeia da Elanda, município da Caála, Província do Huambo. Mais uma vez, nota-se o esforço do partido da situação em tentar colmatar as lacunas, que o Governo chefiado pelo Presidente deste partido, deixou por fazer, nos últimos trinta e três anos e ainda pensam que conseguem convencer, em poucos dias, os eleitores que já estão engajados na corrente da mudança.

Neste décimo segundo dia de campanha eleitoral, os partidos da oposição e que apoiam na generalidade a mudança em Angola, estão verdadeiramente preocupados com o aumento da intolerância e da violência política e a forma como as autoridades competentes minimizam estes actos criminosos. Há a obrigação cívica de denunciar estes actos criminosos e de apelar constantemente, que se tomem medidas imediatas e repressivas contra estes desordeiros, que vão manchando este processo eleitoral.

Carlos Lopes

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Thursday, August 7, 2008

O marketing directo ou « porta-porta » nas Eleições em Angola

…”quem não tem cão caça com gato.”

Os partidos políticos que apostaram numa campanha de «porta a porta» ou até em reuniões alargadas entre amigos e familiares dentro de casa, que depois se alarga ao quintal do vizinho, na minha opinião, fizeram bem.

Esta é alternativa criativa do marketing directo adaptado a política eleitoral, onde o braço partidário chega anónimo ao bairro/comuna e se alonga a todos aqueles que querem ouvir a mensagem da mudança. Também, se pode combinar pequenos encontros numa sala onde passam os tempos de antena, a volta da TV como se fosse a volta da fogueira. Depois é só discutir as ideias e passar a nossa, dizendo que temos a oportunidade de « dar a volta » ao país, com as pessoas certas nos sítios certos, que é como quem diz, Deputado escolhido pelo nosso partido, para defender bem os interesses do Povo Angolano.


Agora os «chefes» do marketing político partidário, que convenceram as suas Direcções que precisavam de milhões para camisolas e chapéus, como único processo para ganhar eleições,… pois, quem já ganhou, foi quem vendeu o produto e a ideia!


Neste terceiro dia de campanha, a situação eleitoral é um pouco semelhante a anterior. Considero que a melhor mensagem política continua a ser da U.N.I.T.A na pessoa do seu Presidente e de alguns históricos dirigentes que nas Províncias também estão a passar a mensagem.


Mas, pelo « andar da carruagem » será na recta final, ou seja, nos últimos dias que a campanha vai mesmo aquecer, neste cacimbo meio morno.


Carlos Lopes

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Sunday, April 23, 2006

Os resultados eleitorais de São Tomé versus futuros resultados em Angola

O Tribunal Constitucional de São Tomé e Príncipe confirmou a vitória da coligação MDFM e o Partido da Convergência Democrática com 23 Deputados, contra os 20 do MLSTP e os 11 da ADI e 1 do Novo Rumo.

 

Perante estes resultados o Presidente Fradique de Menezes avançou com um Governo minoritário, num quadro que necessita do apoio de 4 Deputados da oposição no Parlamento, para ter a aprovação deste órgão.

 

Em Julho haverá em São Tomé e Príncipe eleições presidenciais, oportunidade para o Presidente Fradique tentar um melhor resultado, mas em que a oposição política partidária estará a procura do melhor candidato para consolidar a sua vitória nas legislativas.

 

O cenário em Angola, de dois momentos eleitorais, sendo as legislativas em 2007 e as presidenciais em 2008, bem como a possibilidade do MPLA ganhar com maioria simples e ser chamado a constituir um Governo minoritário, e a Oposição político-partidária reunir na Assembleia Nacional uma maioria absoluta e esperar por 2008 para ganhar as presidenciais, parece ser uma possibilidade cada vez mais real.

 

A insatisfação do cidadão, que vê no GURN uma transitoriedade incapaz de resolver os problemas mais básicos da população e uma oposição partidária com possibilidades de ganhar alguns votos, a custa da perda dos dois principais partidos Angolanos, o MPLA e  a UNITA, poderá levar a um panorama político que vai depender da criatividade dos políticos, em ensaiar novas estratégias eleitorais para combater o absentismo, que tanto pode favorecer o partido da situação como a oposição.

 

Pelo que, mantenho o meu cenário político de ver nos dois pleitos eleitorais a esperança que o Angolano tem, de uma vida melhor perante um desenvolvimento sustentável, numa geração de políticos que quer renovar sem clivagens, mas acreditando que estão a trabalhar em prol da Democracia e do Estado de direito em Angola.

 

Carlos Lopes

 
 

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Thursday, April 20, 2006

A marcação de eleições em Angola tardiamente, só beneficia a oposição

As eleições em Angola são a segunda preocupação que os Angolanos têm, depois da luta diária pela sobrevivência num estado de miséria extrema em que a maioria da população vive.


As dificuldades que o cidadão encontra todos os dias e que sozinho não consegue ultrapassar, nem com ajuda da comunidade, facilmente responsabiliza quem governa. Cansado de ouvir promessas de resolução dos problemas do quotidiano por parte dos responsáveis do país, pensa que a solução passa pelas eleições, onde terá a oportunidade de escolher novos dirigentes e programas políticos, que venham melhorar a sua condição de vida.
 

O cidadão que vive em núcleos urbanos tem acesso a mais informação eleitoral do que aquele que está no interior. Todos nós sabemos que a Sociedade Civil e o Governo vão ficar engajados na informação e formação cívica no período pré-eleitoral.
 

Os Angolanos querem na futura Assembleia Nacional, Deputados em exclusividade de funções, em prol dos interesses nacionais daqueles que os elegeram, num regime de incompatibilidades com outras funções, de forma a evitar-se o conflito de interesses que poderiam surgir. A função política independente do poder económico e executivo é essencial para a consolidação da Democracia no País.
 

Neste sentido, não se compreende como é que partidos políticos que querem conquistar o poder pela via eleitoral, coloquem os seus principais dirigentes na Assembleia Nacional, perante a « batalha eleitoral » que se advinha a curto prazo. Por certo, não vai ser nas sessões da Assembleia que vão conquistar o eleitorado, por muito « bonito » que seja o discurso e a interpelação parlamentar dos Deputados. Quiçá, possa haver um outro aspecto nesta questão, quando um Deputado é chamado a desempenhar funções de propaganda eleitoral pelo seu partido, faltando assim ao dever de assiduidade na Assembleia e deixando as funções de fiscalização e intervenção política no fórum que lhe pertence. O cidadão irá aperceber-se que a prioridade de alguns candidatos a  Deputados serão as « mordomias » que o cargo oferece, algo que se estivesse em trabalho estritamente partidário não teria.  

 

Mas haverá melhor compensação política, do que aquela que é o de acompanhar na sociedade o evoluir das condições de vida do cidadão, as suas opiniões críticas e possíveis soluções que apresenta, observar o evoluir da economia e o pulsar das empresas, sentir as dificuldades do povo quando enfrenta diariamente as falhas do sistema, as falsas promessas dos responsáveis, que teimam em falar daquilo que deviam estar a fazer?! 
 

A oposição política precisa de tempo para conceber a melhor estratégia eleitoral de acordo com o seu orçamento. Mas, quanto mais tempo passar e perante a incapacidade do Governo em resolver os problemas do cidadão, mais a oposição política consegue engajar eleitores para os seus programas políticos, que terá de passar por uma renovação de dirigentes, mais jovens, mais capacitados tecnicamente e politicamente e que a geração mais antiga saiba dar o seu contributo no futuro, abrindo mão dos lugares que ocupam em prol da dinâmica política que se exige.
 

No entanto, não se defende a morosidade excessiva na marcação das eleições gerais no País, no pressuposto que pode beneficiar este ou aquele partido político. O que os Angolanos desejam é que haja uma calendarização do acto eleitoral, que passará por diversas fases até ao dia das eleições e que o mesmo decorra com serenidade, seriedade em liberdade.
 

Estamos todos disponíveis para dar o nosso contributo no verdadeiro exercício de cidadania em Angola.

Carlos Lopes

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Friday, February 17, 2006

Cenário das Eleições em Angola : Legislativas em 2007 e Presidenciais em 2008

Um cenário possível, em termos de resultados eleitorais das eleições em Angola, considerando que as legislativas ocorram em primeiro lugar, porque será isso que o Presidente da República deseja ( lembro as suas declarações no aniversário da independência no Namibe ) e o desejo que manifestou no comício do Cazenga, no fim do Congresso do MPLA, onde pedia para governar durante 4 anos e um ano depois, a realização das Presidenciais.

Assim, teremos legislativas em 2007, já que o CNE recebeu um plano de intenções do Governo, em que o registo eleitoral se faça em duas fazes, uma este ano e outra em 2007; e eu diria um terceiro registo, tendo em consideração que as Presidenciais possam realizar-se em 2008.

Neste cenário, as minhas previsões são as seguintes :

  • O MPLA ganha as eleições sem maioria absoluta.
  • A UNITA perde perto de metade dos deputados, mas continua como a segunda força política do País e a primeira da oposição na futura Assembleia nacional.
  • Que os votos que o MPLA e a UNITA perdem serão repartidos pelas outras forças políticas que estão presentemente na Assemblea Nacional e que possam entrar uma ou duas coligações partidárias.
  • A UNITA e os outros partidos políticos vão constituir a maioria de deputados na Assembleia Nacional.
  • O Presidente da República chamará o MPLA para constituir o Governo, sabendo que este partido tem uma maioria simples na Assembleia. Nesta situação a maioria que está nas mãos da oposição, poderá condicionar a implantação do programa de governo do MPLA, a não ser que este, faça uma aliança com um pequeno partido ou coligação minoritária, de forma  a fazer passar os seus diplomas e medidas governativas.

Em relação as Presidenciais, o actual Presidente da República se for candidato, irá sempre a uma segunda volta e aí o candidato apoiado em bloco pelas forças partidárias da Oposição com representação parlamentar será eleito. Se tal acontecer, de Angola vir a ter um Presidente da República eleito pela Oposição, o governo minoritário do MPLA caí, dando lugar a um Governo de Consenso da Oposição com assento na Assembleia Nacional e o MPLA passará a oposição, mesmo tendo ganho as eleições.

A pergunta que se põe, é se o eleitorado do MPLA e o próprio partido estaria preparado para este cenário eleitoral.

Carlos Lopes

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Tuesday, February 14, 2006

O poder do voto dos excluídos

Nas próximas eleições em Angola, que os cidadãos esperam que seja para breve, vão votar todos aqueles que em 1992 tinham no mínimo 4 anos, mais os que votaram nessa altura.

Acredito, que muitos meninos de rua, hoje com idade de votar, são adolescentes, jovens com poucas perspectivas de vida, ou seja, estarem a estudar, ter um emprego, possibilidade de possuirem uma casa condigna, constituirem uma família, num conforto razoável com as condições que o País oferece.

Numa economia a crecscer na ordem de 27%, com a inflação a descer e o investimento a crescer, estes futuros eleitores, que poderão ser uma maioria, juntamente com as mulheres, que lutam diáriamente para ter um mínimo de rendimento para as suas famílas, irão ter um poder de voto considerável, que não deixara indeferente nenhuma força política Angolana, que aspire conquistar pela via eleitoral o poder.

Este é mais um tema, que merece uma reflexão e uma opinião.

Carlos Lopes 

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