As eleições em Angola são a segunda preocupação que os Angolanos têm, depois da luta diária pela sobrevivência num estado de miséria extrema em que a maioria da população vive.
As dificuldades que o cidadão encontra todos os dias e que sozinho não consegue ultrapassar, nem com ajuda da comunidade, facilmente responsabiliza quem governa. Cansado de ouvir promessas de resolução dos problemas do quotidiano por parte dos responsáveis do país, pensa que a solução passa pelas eleições, onde terá a oportunidade de escolher novos dirigentes e programas políticos, que venham melhorar a sua condição de vida.
O cidadão que vive em núcleos urbanos tem acesso a mais informação eleitoral do que aquele que está no interior. Todos nós sabemos que a Sociedade Civil e o Governo vão ficar engajados na informação e formação cívica no período pré-eleitoral.
Os Angolanos querem na futura Assembleia Nacional, Deputados em exclusividade de funções, em prol dos interesses nacionais daqueles que os elegeram, num regime de incompatibilidades com outras funções, de forma a evitar-se o conflito de interesses que poderiam surgir. A função política independente do poder económico e executivo é essencial para a consolidação da Democracia no País.
Neste sentido, não se compreende como é que partidos políticos que querem conquistar o poder pela via eleitoral, coloquem os seus principais dirigentes na Assembleia Nacional, perante a « batalha eleitoral » que se advinha a curto prazo. Por certo, não vai ser nas sessões da Assembleia que vão conquistar o eleitorado, por muito « bonito » que seja o discurso e a interpelação parlamentar dos Deputados. Quiçá, possa haver um outro aspecto nesta questão, quando um Deputado é chamado a desempenhar funções de propaganda eleitoral pelo seu partido, faltando assim ao dever de assiduidade na Assembleia e deixando as funções de fiscalização e intervenção política no fórum que lhe pertence. O cidadão irá aperceber-se que a prioridade de alguns candidatos a Deputados serão as « mordomias » que o cargo oferece, algo que se estivesse em trabalho estritamente partidário não teria.
Mas haverá melhor compensação política, do que aquela que é o de acompanhar na sociedade o evoluir das condições de vida do cidadão, as suas opiniões críticas e possíveis soluções que apresenta, observar o evoluir da economia e o pulsar das empresas, sentir as dificuldades do povo quando enfrenta diariamente as falhas do sistema, as falsas promessas dos responsáveis, que teimam em falar daquilo que deviam estar a fazer?!
A oposição política precisa de tempo para conceber a melhor estratégia eleitoral de acordo com o seu orçamento. Mas, quanto mais tempo passar e perante a incapacidade do Governo em resolver os problemas do cidadão, mais a oposição política consegue engajar eleitores para os seus programas políticos, que terá de passar por uma renovação de dirigentes, mais jovens, mais capacitados tecnicamente e politicamente e que a geração mais antiga saiba dar o seu contributo no futuro, abrindo mão dos lugares que ocupam em prol da dinâmica política que se exige.
No entanto, não se defende a morosidade excessiva na marcação das eleições gerais no País, no pressuposto que pode beneficiar este ou aquele partido político. O que os Angolanos desejam é que haja uma calendarização do acto eleitoral, que passará por diversas fases até ao dia das eleições e que o mesmo decorra com serenidade, seriedade em liberdade.
Estamos todos disponíveis para dar o nosso contributo no verdadeiro exercício de cidadania em Angola.
Carlos Lopes