NOTA – Consulte os dados oficiais da CNE : http://www.eleicoes2012.cne.ao/paginas/paginas/dat99/DLG999999.htm

Na minha opinião, o resultado eleitoral apresentará, um absentismo a rondar os 60%,  o MPLA ( 61% a 62% ), a CASA-CE ( 18% a 20% ), a UNITA ( 7% a 8% ), o PRS ( 2% a 3% ), a Nova Democracia ( 1% a 2% ), FNLA (1% a 1,5% ) e restantes partidos ( 4,5% a 2%).

A CNE nas eleições de 2008 não indica o absentismo.

Num artigo sobre a abstenção nessas eleições, realçava esse dado ignorado pelos partidos, mas que merece até hoje a sua análise, para tentar compreender a falha na divulgação do absentismo nas eleições angolanas.

A leitura que faço desta campanha eleitoral, quando faltam apenas cinco dias para as eleições gerais em Angola, pode ser alterado com base em mudanças no marketing político de cada concorrente no pleito eleitoral. E seria desejável que o fizessem, para melhorarem a sua estratégia e elucidarem o eleitorado sobre os seus programas políticos.

O MPLA ganhará estas eleições, não por mérito próprio, mas porque as irregularidades denunciadas pela oposição vão-se concretizar perante a inoperância da CNE e a contestação legalista e popular dos partidos e coligações de partidos. Os resultados eleitorais sairão lentamente, numa estratégia de avaliação de como os mesmos serão aceites pelos atores políticos, eleitores e população em geral. A queda percentual do MPLA trará um «sabor amargo» a esta vitória, porque não reflete a transparência e a verdade do processo eleitoral, em que a suspeição de fraude eleitoral irá durar algum tempo.

A CASA-CE tem uma liderança carismática e surgiu realmente como uma convergência de pessoas e ideias, mas com capacidade de fazer melhor do que está a fazer. É o único concorrente que “ganhará sempre”, nem que seja com a eleição de um Deputado, porque está nestas eleições pela primeira vez.

A semelhança dos outros concorrentes nestas eleições, tem que combater o absentismo e apostar cada vez mais no porta a porta, não se ficando apenas  pelos mercados, mas ir aos bairros, as comunas e deixar a sua propaganda política nas mãos do eleitor, que não quer votar em nenhum dos ex-beligerantes, e apostam numa via pacífica, harmoniosa e independente dos interesses instalados de uma nomenklatura que orbita a volta do candidato do maioritário. A possibilidade de ser a segunda força política em Angola, dar-lhe-á a responsabilidade de trabalhar logo após as eleições para o pleito de 2017, com maior experiência adquirida e aproveitando todos os quadros que possui e outros que virão, porque veem nesta coligação a alternativa ao MPLA.

A UNITA, que aparece nestas eleições com um líder perdedor e apoiantes de última hora, como o PP e PDP-ANA, acordou tarde para as irregularidades eleitorais, mas esforça-se para conseguir o melhor resultado possível. O frente a frente com o MPLA, sendo este o detentor do poder e com tentáculos ao mais alto nível, vai-lhe trazer dissabores com mais uma derrota, que Samakuva terá dificuldades em digerir. Seja como for, é um protagonista que vai lutar até ao fim e no seu interesse partidário.

O PSR não andará muito longe dos resultados eleitorais de 2008, tendo notórias dificuldades em implantar-se ao nível nacional.

A Nova Democracia baixará os seus resultados.

A FNLA dividida em duas alas, terá um resultado fraco, abaixo das suas expetativas.

Os restantes partidos ficarão a beira da extinção com base na lei, que atuará com base nos seus resultados eleitorais.

Mas o que vale, não são os prognósticos, mas sim os resultados finais. Se os prognósticos se confirmarem, é porque os partidos e coligações de partidos da oposição credível não souberam ou não conseguiram, satisfazer o desejo dos Angolanos, em quererem ser governados por pessoas sérias e que trabalhem no interesse do Povo soberano que os elegeu.