Segunda-feira, Agosto 18, 2008

Será que os despejos vão continuar depois das Eleições em Angola?


Os despejos frequentes em Luanda e no subúrbio da capital, de populações que são enviadas para km de distância, algumas vezes com uso da força e causando danos corporais nos populares, mulheres, velhos e crianças, estas que ficam fora das suas escolas, é uma imagem que está na mente dos eleitores. E preciso saber com que finalidade é que «correm» com estes residentes para a periferia, alojando-os provisoriamente em tendas.

Um mau exemplo, é o de Junho de 2006 na antiga escola militar Comandante Gika, no centro de Luanda, em que foram despejadas à força centenas de famílias, que ficaram ao relento quando as suas casas foram demolidas numa acção que contou com a intervenção de “ um grupo de militares” do exército “fortemente armado”. Cerca de 400 famílias de antigos combatentes e desalojados de guerra foram forçados a sair das suas casas. Foi desta forma, que estes populares foram tratados e agora vem o MPLA prometer o quê?!…

Vejam, o que está a ser construído no local, se é um benefício para os ex-combatentes, para o fomento da habitação social ou se tem a ver com as promessas de habitação feitas pelo MPLA : http://comandantegika.net/

Calcula-se que entre 2002 e 2006 foram despejadas à força 20.000 pessoas de vários bairros da capital e organizações como o CCDH, SOS HABITAT e a Human Rights Watch, tem dossiers que provam violações graves de Direitos Humanos nesta matéria.

Mas há intenções disto continuar e uma delas tem a ver com o Projecto imobiliário da Zona Costeira da Corimba, de um tal GRUPO DAR, que vai da lagoa da Samba à Baía do Mussulo, e tem a ver também, com o projecto SODIMO. Haverá despejos numa grande extensão da orla marítima da Samba, Benfica e Belas, para construir um subúrbio turístico, comercial e residencial de luxo, que nada tem a ver, com a política habitacional para o Povo. Mais uns milhares de pessoas que vão ser despejadas, em benefício de quem?!

Quem não tem dúvidas sobre as « boas políticas » do MPLA, é o Sr. Valentim, que apelou o eleitorado a votar no MPLA, à partir de sua casa ( uma delas ) no bairro da Canata no Lobito. Será que alguém vai ouvir este mais velho?!

O MPLA no Golungo Alto, depois de uma igreja restaurada, agora foi uma escola do primeiro ciclo, também na aldeia do Malulu, com duas salas de aulas, um gabinete para os professores, equipada com as respectivas carteiras, quadros e secretarias novas. Esta oferta custou aos cofres do MPLA QUATRO MILHÕES DE KWANZAS  e demorou seis meses a construir. As 35 crianças que vão frequentar a escola ficaram naturalmente satisfeitas,… é pena, é não terem idade para votar.

Neste décimo quarto dia de campanha, a mudança preconizada pelos partidos da oposição, passa por lembrar aos eleitores, que trinta e três anos perdidos na governação do MPLA, podem ser recuperados com um programa de governo que tenha o Angolano como prioridade, na educação, saúde, habitação ( sem despejos anárquicos ), emprego e uma vida digna. A UNITA continua a liderar o efeito eleitoral da mudança, que o eleitor tanto anseia em Angola.

Carlos Lopes

Publicado por em 20:34:38 | Permalink | Sem Comentários »