Tuesday, August 15, 2006

Boa Governação em Angola má classificada pelo Banco Mundial

Angola ocupa o septuagésimo lugar entre 76 países pobres ou em vias de desenvolvimento, segundo uma lista classificada pelo Banco Mundial sobre a boa Governação.

 

Nessa lista Cabo Verde está em segundo lugar, Moçambique em 36º, São Tomé e Príncipe 60º, Guiné-Bissau 68º e Nigéria em 50º.

 

Os critérios usados tais como, o controlo da inflação, a dívida externa, concorrência livre numa economia de mercado, despesas públicas bem repartidas e geridas, são alguns dos 16 critérios utilizados, sendo que, o Banco Mundial procura ter em conta aspectos económicos e sociais desses países.

 

 Ainda este mês o Governo Angolano anunciou que vai conceder a Cabo Verde um financiamento, a fundo perdido, de três milhões de euros destinado à construção de importantes infra-estruturas na Cidade da Praia, capital daquele arquipélago.

O Governo de Cabo Verde bem podia ter aproveitado a ocasião e ter explicado ao Sr. Ministro Higino Carneiro, como se pode investir em infra-estruturas em Angola, criando emprego, dando oportunidade aos empresários Angolanos e sem muitos « biliões », mas com recurso a boa gestão e fiscalização de obras, sem estar dependente dos « financiadores » que ditam as regras quando emprestam os ditos « biliões ».

 

 Numa altura, em que as reservas internacionais do País são de 5 biliões de USD em final de Julho, conforme declarações do Governador do BNA, que adianta que, «  o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deve-se, não apenas ao aumento da produção do petróleo e da elevação do seu preço no mercado internacional, mas também ao aumento da produção dos outros sectores da economia (construção civil e obras públicas; investimentos públicos na melhoria da infra-estrutura económica e social; investimentos privados na ampliação da capacidade instalada e implantação de novas empresas nos sectores da agricultura, indústria e serviços) ; e com uma projecção da inflação em 10% para 2006. ». Pode-se referir que os aumentos acentuados do preço do barril de petróleo, na ordem de 60 e 70 USD, não se aplicam na recuperação de infra-estruturas, nos sectores da educação e saúde, para que o Povo Angolano saía da miséria, num País potencialmente rico, mas com Governantes que nos colocam numa lista do BM em posição pouco dignificante.  Este Governo é bom em fazer projectos e programas. Veja-se o mais recente projecto "Angola Jovem", direccionado à formação profissional e fomento do auto-emprego dos jovens, que foi apresentado  na cidade de Wako Kungo, município da Sela, província do Kwanza Sul. O projecto, de âmbito nacional, vai beneficiar cerca de 10.500 jovens na faixa etária dos 15 aos 30 anos de idade, de acordo com as condições objectivas e expectativas de cada província.Com esta iniciativa, o Governo pretendeu chamar a atenção da sociedade sobre a importância da resolução dos problemas da juventude, com destaque para o do primeiro emprego.
Na sua implementação, com a parceria do sector privado, particularmente das empresas produtivas, de prestação de serviços e dos bancos comerciais, com uma forte organização da juventude através das associações. O papel do Governo neste processo é caracterizado pela orientação sócio-política de coordenação das acções práticas e de avaliação do plano.
A edição em português do PRAVDA de 04-08-06, escreve sobre o sucesso dos investimentos feitos em Angola nos últimos anos, que deseja ver como candidato as Presidenciais o Eng. Eduardo dos Santos, actual Presidente Angolano. Refere este jornal a boa governação em Angola e que o Banco Mundial acaba de disponibilizar 7,2 Milhões de USD para o Ministério de Água e Energia para a construção da rede de fornecimento de água potável em Malange. Não se esquecem de mencionar que a Lei de Revisão do Orçamento do Estado atribui 7 biliões de USD para investimentos públicos, nos caminhos-de-ferro, rede rodoviária e instalações portuárias. Mas será que os Senhores do Banco Mundial, não conhecem o PRAVDA, não sabem dos projectos do Governo, do empréstimo á Cabo Verde etc…?!O novo empréstimo de 4 Biliões do Exibamk da China, que inclui uma linha de crédito de 27O milhões de dólares, que deverá servir de suporte para a política de recuperação e relançamento do sector das pescas, encetada há dois anos e meio pelo Ministro Salomão Xirimbimbi, também não passou pelo « crivo » do BM e por isso, estes investimentos não devem ter sido considerados. Outra parte da verba da linha de crédito da China, calculada em 21O milhões de dólares, será aplicada na construção de 11 portos pesqueiros ao longo da costa marítima. Da China serão ainda importadas 3OO embarcações industriais cuja venda a operadores privados será intermediada pelo Ministério das Pescas.  Para além deste pacote, Angola está a implementar, por um período de cinco anos, um programa de desenvolvimento de pesca artesanal financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). Este financiamento, de 12 milhões de dólares, permitirá criar centros integrados de apoio à estrutura artesanal de pescas, através do fornecimento de equipamentos e de programas de formação.  Mas afinal qual é nosso problema de « boa governação » em Angola?!... falta de Biliões de USD?!... ou a existência de tanto Bilião de USD para uma multiplicidade de projectos de reconstrução nacional, de reinserção de deslocados e desmobilizados de guerra, de investimentos prioritários na saúde, educação e habitação?! Será que nesta « boa governação », a palavra transparência é conhecida e implementada, a existência de concursos públicos e adjudicação de obras é feita mediante critérios objectivos e rigorosos de boa gestão do erário público em benefício do POVO ANGOLANO?! Enquanto isso, continuamos numa Angola cheia de contradições, de disparidades e antagonismos básicos de sobrevivência económica e neste mundo global, confrontados com dados internacionais e dedos acusatórios, em que « uma mão lava a outra », enquanto o POVO ANGOLANO labuta diariamente por um pedaço de pão, com esperança que uma mudança política pela via eleitoral seja a solução, para terem no País que amam, uma vida digna e prospera. 

Carlos Lopes

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Thursday, August 10, 2006

Samakuva deve cumprir mandato e convocar o congresso para eleger o próximo líder da UNITA

O Presidente da UNITA, teve neste mandato a oportunidade de fazer do seu partido a grande alternativa ao poder instituído em Luanda.

Mas falhou!

Neste sentido, os militantes e simpatizantes da UNITA esperam que a « lição » de democracia dada ao País em Junho de 2003, com a eleição por larga maioria de Samakuva, sirva para o actual Presidente da UNITA convocar eleições no partido, para que se possa recuperar o tempo perdido.

O General Gato será sem sombras de dúvida a única alternativa, em termos de candidatura as próximas eleições de liderança da UNITA.

O pleito eleitoral na UNITA deveria realizar-se após as próximas eleições legislativas no País, sendo de inteira responsabilidade o previsível insucesso, em termos de resultados, imputados ao Presidente Samakuva. A maioria dos simpatizantes e militantes da UNITA têm uma opinião negativa da forma como politicamente o partido tem sido conduzido a partir de Luanda, onde a maioria da Direcção está « acomodada » indeferente a realidade daqueles que apoiam o partido e se esforçam para manter viva a « chama » de uma UNITA pronta para enfrentar os desafios que o País tem, que passará pela melhoria da qualidade de vida dos Angolanos.

O MPLA e os outros partidos da Oposição têm sabido ocupar os espaços que a UNITA vem deixando « ao Deus dará », pensando que por nada fazerem, os outros ficarão « amorfos » no desenvolvimento da política eleitoralista do partido da situação, que « não dormindo em serviço », vai percorrendo o seu caminho, com algum aliciamento político e sentido de oportunidade num clima pré-eleitoral.

O Presidente Samakuva deixou-se envolver por « uma mão cheia de dirigentes », que passam o tempo a olhar para o seu umbigo, com a preocupação de assegurarem a sua situação político-financeira sentando-se no lugar de Deputados, nem que seja para uma única legislatura. O que interessa a « estes senhores » é aproveitar as mordomias, visto que, têm dúvidas que possam voltar a ser eleitos pelo Povo descontente, que no passado votaram na UNITA e que hoje estão desencatados com uma Direcção e um Presidente com dificuldades de se implantarem num eleitorado, revendicativo, frustrado com quem governa e com falta de esperança numa Oposição Partidária, pseudamente liderada pela actual segunda força política de representação parlamentar, que é a UNITA.

Á um ano das eleições para a Presidência da UNITA, pouco tempo existe para qualquer candidato, conseguir um programa de actividades que esclareça o eleitorado Kwacha, que pode ser uma alternativa válida. Para isso, o candidato tem que ter carisma para que possa, num espaço tão curto, conseguir uma vitória no próximo congresso da UNITA. Este candidato não deve ser eleito para assumir o « fardo » da ineficácia política do Presidente Samakuva, mas sim, após eleições legislativas preparar o partido para o pleito eleitoral seguinte, seja ele qual for, apoiado naqueles dirigentes e militantes, que durante todo este tempo, continuaram com um trabalho político visível mas sem o apoio da actual Direcção e do Presidente Samakuva, que se preocuparam com tudo, menos com o crescimento e a consolidação da política e programa eleitoral da UNITA, para que o País mude no sentido de resolver os inúmeros problemas que os Angolanos enfretam diáriamente.

A actual Direcção da UNITA e o Presidente Samakuva têm o partido sem rumo em termos eleitorais e passaram estes últimos anos a falar dos problemas dos desmobilizados, dos excluídos cidadãos que por serem da UNITA têm sido descriminados, ficando-se pela denúncia, pelas acusações ao MPLA, ao Governo e sem iniciativa no intuito de participar na resolução dos problemas. Mas em época eleitoral saberão fazer « os passeios eleitorais » pelos Komités Provinciais e a procura do pouco eleitorado que resta e que durante este tempo se viu « abandonado » pelos acomodados Dirigentes em Luanda.

Mesmo na capital, observa-se diáriamente junto aos edifícios, onde está instalado o partido, cidadãos que procuram apoio, que querem dar ideias, participarem no processo político e que se vêem preteridos por prioridades que não se entende e que vai servindo para adiar situações complicadas, que com alguma senssibilidade humana podiam ser atenuados.

Óbviamente que há Dirigentes, Deputados e quadros do Partido que não estão envolvidos neste « marasmo político » encabeçado pelo Presidente Samakuva. Mas estes são uma « reserva política » que uma nova Direcção escolhida pelo próximo Presidente da UNITA irá acolher e com ela apostar definitivamente no crescimento da UNITA como verdadeira alternativa ao poder da nomenklatura do partido da situação.

Espero da parte do Presidente Samakuva a nobre atitude democrática de convocar um congresso no próximo ano, para que seja eleito um novo Presidente da UNITA e faço votos que o General Gato seja candidato, porque tem todos os requisitos para elevar a UNITA como principal força política partidária, a curto prazo, em Angola.

Carlos Lopes  

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