Há um ditado popular que diz, que não há fumo sem fogo!

 

Eu diria que no « mujimbo » a especulação é “ REI “ e quando a imprensa começa a insistir demasiado num assunto político, neste caso, no possível « acordo de cavalheiros » entre aquele que deverá marcar a data das próximas eleições no país, Sua Excelência o Presidente da República e o seu principal opositor as eleições Presidenciais, o Presidente do maior Partido Político da Oposição, é porque há “ gato com rabo de fora “.

 

A notícia que vem estampada na edição nº 187 do Semanário Angolense ( SA ), sugere um pacto entre os citados protagonistas da cena política Angolana com o objectivo das eleições se realizarem em 2010 e tudo dependeria na satisfação de um conjuntos de revindicações materiais apresentados supostamente por Samakuva na audiência com JES. Da parte do Presidente da República e segundo o semanário, este precisaria de tempo para resolver questões para não pertubarem a estabilidade política no futuro…!

 

O SA continua, indicando que provavelmente a UNITA ao fazer o dito acordo, gostaria de ver estabelecido um calendário eleitoral que indicasse a data de eleições e que haveria a necessidade de acomodação dos sectores do galo negro e uma melhor repartição dos dividendos da paz.

 

O SA baseado numa fonte oficial diz que um eventual congelamento das eleições até 2010 teria partido de Samakuva…(?!)…; « Ele sugeriu que a ausência de uma data para as eleições poderia influenciar perigosamente o desfecho do congresso da UNITA » e que, a emergência de uma nova direcção da UNITA no congresso do próximo ano poderia comprometer a estabilidade de alguns compromissos entre o Governo e a UNITA, já que, uma nova direcção não daria garantias da continuidade da UNITA no GURN.

… e depois o SA termina referindo que, para as fontes do MPLA, as versões que circulam em Luanda fazem parte das guerras internas da UNITA e nada mais…!

 

Eu retirei partes « soltas » da citada notícia da SA, porque interessa-me fazer uma reflexão sobre as mesmas e porque vem na sequência de artigos anteriores neste blog, sobre o Presidente da UNITA e o próximo Congresso deste Partido.

 

Nada me move contra o Presidente da UNITA e a sua Direcção, mas no âmbito da liberdade de expressão e pensamento, constitucionalmente garantido em Angola, leva-me a escrever algumas opiniões sobre esta e quiçá outras matérias relacionadas com a Democracia e o estado de Direito em Angola. 

 

Esta notícia peca na minha opinião por uma confluência de fontes e mais fontes, que « bebidas » não conseguem saciar-me, continuando com sede de esclarecimento, que o Presidente da UNITA, numa próxima oportunidade poderá informar devidamente o seu partido e o país.

 

Parece-me que a UNITA, na pessoa do seu Presidente, deverá proceder de forma a garantir politicamente um quadro geral para o País e em particular para os interesses específicos deste partido, independentemente vir ou não beneficiar este ou aquele membro do MPLA, ou até os interesses ditos de prioridade nacional. Mas o que não pode fazer, é um acordo tácito com o seu adversário político nas próximas eleições gerais no pais, a revelia da Comissão Política da UNITA, porque ficará isolado e comprometido numa zona cinzenta e acossado internamente pelos seus pares.

 

Agora até « fantasmas » se criam, caso surja um novo Presidente e renovada direcção no próximo Congresso da UNITA, no que diz respeito a estabilidade do GURN, que é visto por mim e se calhar por mais alguns cidadãos, como um conjunto de cargos ministeriais, provinciais e comunais, de acomodação político-económica, estabelecidos num determinado momento histórico que nada tem haver, com o momento actual.

 

Hoje, o que o cidadão Angolano pretende é a satisfação de necessidades básicas como o emprego, um salário digno, educação para os filhos, uma política de saúde que resolva os problemas nesta área, a possibilidade de ter uma habitação com água potável e saneamento, que a sua iniciativa empreendedora e empresarial tenha os apoios efectivos estabelecidos na Lei do Fomento ao empresariado nacional e não apoiará iniciativas bipolarizadas de dirigentes políticos, que eventualmente estão mais interessados em resolver os seus interesses e da « nomenklatura » que os envolve, olhando para o seu umbigo e a partir de Luanda.

 

O Povo Angolano quer e anseia eleições gerais no país, para que a alternância política lhes proporcione a vida digna que ambicionam. Perante acções políticas que contrariem esta pretensão a curto prazo, só lhes resta o Direito a indignação contra eventuais pactos que protelem a possibilidade de terem qualidade de vida. O descrédito nos partidos e nos dirigentes é a consequência de práticas políticas bipolares, sempre implantadas « a bem da nação », mas que diariamente não se traduzem na melhoria da vida do povo angolano.

 

O Presidente da UNITA tem uma margem de manobra muito curta em relação ao Congresso, porque o tempo passa e não se recupera mais. Vai a caminho de quatro anos de mandato e irá cumpri-los sem esquecer, que fez da UNITA um Partido Democrático e se quer continuar a ser Presidente deste partido, só lhe resta cumprir os estatutos, convocar o Congresso e candidatar-se, sendo que, as questões do Congresso apenas dizem respeito aos seus militantes e dirigentes e aqui não deve entrar mais ninguém.    

 

Carlos Lopes