CAN2010 é teste a governação angolana na área do desporto
O CAN 2010 vai possibilitar ao Governo Angolano de testar a sua capacidade de concretizar uma série de obras de carácter desportivo e de infras-estruturas de apoio.
Num país onde uma obra estrutural fica sempre em milhões de USD e que leva « anos » a concluir no âmbito de fiscalizações, algumas duvidosas, este projecto do CAN 2010 vai obrigar a um esforço suplementar por parte dos recursos humanos que vão trabalhar no mesmo e a sua gestão de financeira terá de ser eficiente e transparente. A construção de quatro estádios de futebol, nas províncias de Luanda, Benguela, Huíla e Cabinda, unidades hoteleiras, centros de estágios, melhoramento das infra-estruturas no sector das telecomunicações, bem como os serviços de transporte, principalmente a circulação rodoviária poderá custar 140 Milhões de USD. Fala-se nos benefícios que os empresários nacionais vão ter, no número de empregos que vai gerar e na projecção do país no meio desportivo estrangeiro e em particular em África.
Os jogos vão realizar-se entre 20 de Janeiro e 10 de Fevereiro.
Angola é o 16º país a realizar o Campeonato Africano das Nações, em futebol, com o Ghana em 2008 e o Egipto foi em 2006. Talvez não fosse má ideia ir observar o que se está a passar no Ghana e o que foi o CAN no Egipto, para retirar as devidas ilações. Já que a « diplomacia desportiva angolana » conquistou a organização do CAN 2010, “ convencendo África que Angola reúne condições para acolher a festa do futebol africano dentro de quatro anos” – segundo Justino Fernandes, o Presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF).
Curiosamente Angola ganhou a candidatura para realizar, em 2007, o campeonato africano de basquetebol, modalidade esta que conseguiu o nono lugar no mundial realizado no Japão e pouco se sabe dos milhões de USD que esta iniciativa vai consumir do erário público.
Na minha modesta opinião, estas iniciativas desportivas são bem vindas e por certo, terão apoio generalizado dos Angolanos. Mas não passo um « cheque em branco » a este governo porque ele está comprometido com a Nação Angolana em realizar eleições gerais em Angola em 2007, caso contrário não avançaria com o registo eleitoral este ano. Também tem um compromisso permanente de facultar aos Angolanos uma melhoria das suas condições de vida e que não passam por iniciativas de carácter desportivo.
Na pirâmide das necessidades humanas no campo da sobrevivência, as culturais e desportivas não são prioridade. É evidente, que se vai gerar investimento privado na hotelaria, turismo e actividades colaterais, ficaremos com estruturas construídas para o efeito, que serão aproveitadas pelas comunidades locais.
O emprego vai aumentar, mas após terminar o CAN irá cair, porque os « turistas » retiram-se e ficam a maioria dos Angolanos, que tem rendimento baixo para sustentar a rentabilidade gerada durante o CAN.Ninguém fala na projecção de rentabilidade que o CAN trará, que seria interessante conhecer ( espreitem o que aconteceu no Egipto e acompanhem o que se passa no Ghana ) para que os investidores nacionais e estrangeiros comecem a fazer contas e para que o Povo perceba, que o CAN é custo, benefício e uma oportunidade dos Angolanos usufruírem no futuro da « obra feita ».
Tenho dúvidas que a comissão a ser criada para acompanhar a concretização do CAN, em três anos e meio, ponha em acção um mecanismo eficaz de fiscalização e gestão controlada das obras a serem efectuadas, a não ser, que se mude substancialmente a metodologia de selecção e adjudicação das entidades que irão colaborar nesse sentido.
Basta observar uma série de obras estruturais no país para achar-se que isto é matéria de reflexão, desde os desvios constantes nos valores orçamentados inicialmente ao prazo de conclusão.
Uma coisa é certa, é que este Governo e o próximo que vier em resultado das eleições, não vão ter muito trabalho em conceber um programa eleitoral, já que está a vista de todos, a multiplicidade de projectos na área da habitação, agricultura, educação, saúde, pólos industriais etc,… que tudo somado, são BILIÕES de USD !!!
O que vale é que a Banca Chinesa não fica muito longe, mas também, já estamos a ficar com os olhos em « bico », a ver a dívida externa a crescer a « olhos vistos ».
Carlos Lopes