No dia 4 de Abril de 2002 em Luanda era assinado o Acordo de PAZ entre os irmãos Angolanos. Este acto ímpar na história recente da nação angolana, o governo e a UNITA assumiam compromissos solenemente perante o Povo Angolano, que a guerra terminava e a reconstrução do País começava.

Em 4 de Abril de 2006, os angolanos conhecem o significado do « calar das armas », têm a esperança que a reconstrução do País está a ser feito, dentro dos condicionalismos que é do conhecimento geral, mas as suas vidas não melhoraram.

 Porquê?!

O Governo Angolano passou a mensagem internamente e internacionalmente, que a presente PAZ e os seus mecanismos seriam exclusivamente controlados por si e se assim não fosse, não teria feito essas declarações, nos primeiros encontros de Luena e perante a presença do Secretário-geral da ONU, com o cessar de funções da Comissão Conjunta e o com o papel de mediação e intervenção que a ONU e a Troika sempre teve no processo de PAZ em Angola. É por isso, que todas as revindicações na reintegração dos desmobilizados da UNITA e seus familiares, na reinserção dos deslocados de guerra e refugiados angolanos nos países vizinhos de Angola, se dirigem inevitavelmente para o Governo.

 Não se quer dizer, que a Sociedade Civil se tenha afastado desta situação, pelo contrário, tem contribuído pontualmente no esforço nacional de proporcionar aos mais carenciados, as ajudas humanitárias através de ONG´s, associações cívicas, as igrejas e organizações internacionais humanitárias, como o PAM, HCR etc.

 O cidadão sente na pele, que esta PAZ não lhe « enche a barriga », tal como Sua Excelência o Presidente da República disse na cidade do Namibe, na comemoração do Aniversário da Independência de Angola, que a « Democracia não enche a barriga dos Angolanos »,… mas enche a alma do angolano, dá-lhe vontade de arregaçar as mangas e fazer de Angola um País que lhe venha a dar os frutos que os estrangeiros tanto ambicionaram no passado.

O Angolano quer usufruir destas condições únicas da economia angolana, que atrai os investidores estrangeiros, pensando que vai ter emprego, habitação, saúde e educação.

 Mas que condições são essas?

- O FMI no mais recente relatório indica que o os rendimentos do petróleo em Angola quase que duplicaram o ano passado em relação a 2004 e estamos a falar em 10 BILIÕES de DÓLARES AMERICANOS, mas que continua haver problemas na administração das contas do petróleo.

- A macro-economia angolana está fortalecida e há uma recuperação da economia angolana e o desenvolvimento do sector privado. O crescimento económico de 15% para este ano,… quando também se fala em 27%, é sem dúvida animador para determinar as prioridades no combate a pobreza, que é generalizada,… e quem o diz é o FMI.

 Então, há ou não o paradoxo da maioria dos angolanos viverem na miséria num país potencialmente rico, com valores económicos aliciantes, mas que nestes 4 anos de PAZ e governação, o povo está a viver pior do que à 4 anos atrás, apesar do « calar das armas », dos empréstimos de biliões de USD « made in china », remodelações governamentais, planeamentos e programas bem concebidos nos gabinetes ministeriais, mas que não se vêem nas cubatas, que continuam sem sanitas, sem água potável, sem saneamento público, etc, etc…

 Mesmo assim, temos que agradecer a Deus por este período de PAZ que os homens um dia negociaram.

Carlos Lopes